Friday, July 21, 2006

Um olhar sobre a cidade costeira de Alicante, no sul de Espanha.













Fotografias e montagens por Nuno Goncalves. Alicante, Espanha 2006.

Thursday, July 20, 2006

Pormenores de uma vida passada!





Fotografias tiradas Nuno Goncalves na Estacao dos Caminhos de Ferro de Maputo. Mocambique 2006

Monday, July 17, 2006

Uma Beira a beira-mar...


"O que vem a rede e' peixe!" Pescadores na praia da Beira preparam-se para mais uma viagem ao mar, onde tentarao pescar um pouco de tudo.




Alguidar a cabeca, uma mulher prepara-se para vender o peixe fresco, pelas ruas da cidade da Beira.




Uma da tarde. Os barcos tambem podem servir como abrigo a um jovem beirao, que tenta fugir do sol abrasador.




Enroladores de cordas, preparam mais uma remessa para vender aos pescadores, que as utilizarao para as suas redes.




Pescadores de partida para mais um dia de faina.




Mais uma sombra. Mais beiroes fugindo do sol que se abate pelas praias da Beira.




Pescador beirao organizando a sua banca de peixe, mesmo ao lado de casa, onde ficara a espera dos preciosos meticais.




"Patrao, pode tirar uma foto?", pergunta um beirao. Ser fotografado e' sempre motivo de orgulho para esta gente.


Uma Beira a beira-mar...

Um novo dia de trabalho no alto mar da cidade costeira da Beira, comeca para estes pescadores "beiroes". As respectivas mulheres permanecem em terra rezando pelo regresso dos homens com o barco cheio do precioso peixe, para posteriormente venderem pelas ruas da cidade como verdadeiras varinas de alguidar a cabeca.Outros, ocupam-se de oficios relacionados intimamente com a pesca, como por exemplo os enroladores de cordas e os contructores de embarcacoes. Outros limitam-se a aproveitar a sombra de um barco qualquer. Um povo simples e generoso, sempre com um sorriso estampado na cara para quem se aproxima deles. E sempre com uma palavra amiga, ainda que essa palavra amiga seja, na generalidade, em ingles... "Hello, my friend! What's your name?".
Fotografia e textos por Nuno Goncalves. Mocambique 2006

Friday, June 30, 2006

Cidade 1985

Canhoes expostos na Fortaleza da Nossa Senhora da Conceicao, construida em 1781.
Cartaz alusivo ao dia 1 de Maio afixado na Praca dos Trabalhadores, antiga Praca Mac-Mahon.
Estacao dos Caminhos de Ferro de Mocambique, situada na Praca dos Trabalhadores, antiga Praca Mac-Mahon.
Art-Deco na fachada de um edificio em Maputo.
Trabalhadores renovando a calcada central na avenida 24 de Julho.
Cafe Continental, onde se podem comer os melhores pasteis de nata de Maputo.

Fotografias de Maputo por Nuno Goncalves, Mocambique 2006

Cidade 1985

Estatua de Samora Machel, primeiro Presidente da Republica de Mocambique, situada na avenida tambem de seu nome.


Bazar de artesanato, situado em frente a Fortaleza da Nossa Senhora da Conceicao.
Artesanato talhado a partir de madeira de nome Sandalo. Bazar de artesanto.

Cidade 1985

De manha quando acordo
em Maputo
o almoço é uma esperança.
Mãe tenho fome
marido tenho bicha
e mil malárias me disputando a vontade.

De manha quando acordo
em Maputo
o jantar é uma incerteza
o serviço uma militancia política
do outro lado do sono incompleto
e o chapa-cem um regulado impiedoso
no quatro barra oitenta sem contra-argumento.

De manha quando acordo
em Maputo
o vizinho já candongou o que me roubou
a estomatologia não tem anestesia
a chuva abriu dialecticamente mais um buraco na estrada
e o conselho executivo continua desdentado de iniciativas.

De manhã quando acordo
em Maputo
Porra para a vizinha que estoirou a torneira do res-do-chão
Porra para o guarda que não ligou a bomba quando veio a água
Porra para as cem gramas de carne apodrecidos
no silêncio desenergetico de Komatipoort
mais as ó eme sed de efes
e o soldado que ainda não ouviu dizer que os passeios
são lugares públicos
e os fulanizados exploradores de outrora
que se preparam para cuspir na tua campa, ó Mataca,
as ordens de um Mouzinho boer.

De manhã quando me percorro
em Maputo
enfio ominosamente o cérebro numa competentissima paciência desembainho felinamente mais uma mentira diplomática
e aguardo a lucidez companheira me leia
nas acácias em sangue
nos jacarandas estalando sob a sola epidérmica do povo
que este é ainda o eco estridente do Chai
até que Botha seja farmeiro e Mandela Presidente.

Então,
com a raiva intacta resgatada à dor
danço no coração um xigubo guerreiro
e clandestinamente soletro a utopia invicta.

À noite quando me deito
em Maputo
não preciso de rezar.
Já sou herói.

Carlos Cardoso - Maputo, 1985

Thursday, June 29, 2006

Putos!


Putos na praia da Costa do Sol, Maputo. Mocambique 2006

Uma paragem algures em Mocambique!


Fotografias e montagem por Nuno Goncalves. Viagem de machibombo entre Beira e Maxixe. Unguana, Mocambique 2006

Monday, June 12, 2006

Armar a trouxa e zarpar!






Fotografias tiradas na Praia de Tofo, na provincia de Inhanbane. As 6 da manha comeca mais uma dia na vida destes pescadores, que se lancam ao alto mar em procura do pao nosso de cada dia, neste caso o tao apreciado peixe cera.

Sunday, June 11, 2006

Os primeiros momentos da minha aventura africana por terras de Mocambique






Fotografia tiradas na Ilha de Mocambique, onde tive a sorte de testemunhar a chegada do governador de Nampula a' Ilha, e onde pude, com a minha camara, retratar os trajes e as pinturas tradicionais usados pelas mulheres em cerimonias especiais. Claro esta que todas as criancas presentes se aproximaram de mim para pedirem a foto da praxe. E a minha resposta esta a vista...

Thursday, May 18, 2006

A minha proxima Aventura...



































Informacoes Gerais

Nome do Pais: Republica de Mocambique
Area Total: 801,590 milhoes de km quadrados
Populacao (2002): 18 milhoes
Moeda (Julho 2005): US$1 = 24,448 Meticais
Capital: Maputo
Esperanca de Vida (2002): Mulheres 34.7 anos; Homens 36.3 anos
Literacia (2001): Mulheres 27% (est.); Homens 58.4%
# de pessoas infectadas com o virus HIV/AIDS (2001): 1,100,000

Informacoes Politicas

Data da Independencia: 25 Junho 1975
Tipo de Governo: Republica
Linguas: Portugues (oficial), dialectos indigenas
Grupos Etnicos: Grupos de Tribos Indigenas 99.66% (Shangaan, Chokwe, Manyika, Sena, Makua, e outros)
Religioes: Crencas Indigenas 50%, Cristianismo 30%, Muslim 20%
Tipo de Legislatura: Assembleia Uni-camara
Chefe de Estado: Presidente Armando Emilio GUEBUZA
Chefe do Governo: Primeiro Ministro Luisa DIOGO
Ministro dos Negocios Estrangeiros & Cooperacao: Alcinda ABREU
Ministro das Financas: Manuel CHANG
Ministro do Desenvolvimento e Planeamento: Aiuba CUERENEIA
Ministro da Industria e Comercio: Antonio FERNANDO
Ultimas Eleicoes Presidenciais (5 anos): 1-2 Dezembro 2004
Proximas Eleicoes Presidenciais: 2009
Ultimas Eleicoes Legislativas: 1-2 Dezembro 2004
Proximas Eleicoes Legislativas: 2009

Wednesday, May 17, 2006

Procura-se um amigo!!!




















Procura-se um amigo

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.

Vinicius de Moraes

Fotografia por Nuno Goncalves. Lisboa 2002

Compreender porque um tijolo valia mais do que um pao?





















Operário em construção

Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as asas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.

De fato como podia
Um operário em construção
Compreender porque um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento

Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse eventualmente
Um operário em construcão.
Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma subita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
- Garrafa, prato, facão
Era ele quem fazia
Ele, um humilde operário
Um operário em construção.
Olhou em torno: a gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento
Nao sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua propria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.

Foi dentro dessa compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele nao cresceu em vão
Pois além do que sabia
- Excercer a profissão -
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.

E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.
E foi assim que o operário
Do edificio em construção
Que sempre dizia "sim"
Começou a dizer "não"
E aprendeu a notar coisas
A que nao dava atenção:
Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uisque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.

E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução

Como era de se esperar
As bocas da delação
Comecaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação.
- "Convençam-no" do contrário
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isto sorria.

Dia seguinte o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu por destinado
Sua primeira agressão
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!

Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras seguiram
Muitas outras seguirão
Porém, por imprescindível
Ao edificio em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.

Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo contrário
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
- Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher
Portanto, tudo o que ver
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.

Disse e fitou o operário
Que olhava e refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria
O operário via casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!

- Loucura! - gritou o patrão
Nao vês o que te dou eu?
- Mentira! - disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.

E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martirios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão
Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construido
O operário em construção


Vinicius de Moraes, Operario em construcao.

Fotografia por Nuno Goncalves. Praca do Rossio, Lisboa 2002

Monday, May 15, 2006

Das Utopias









Das Utopias

Se as coisas são inatingíveis... ora!
não é motivo para não querê-las.
Que tristes os caminhos, se não fora
a mágica presença das estrelas!

Mario Quintana

Fotografia por Nuno Goncalves. Costa da Caparica, 2004